Gameplay de Velhas histórias ao redor da fogueira, de Tarcísio Lucas – O Espelho da Verdade – Parte 2- Final
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O |
sol começa a dar adeus ao dia. As estrelas
começam, uma a uma, a cintilar no céu. A Lua, repleta de beleza e claridade se
mostra como imperatriz.
O
inverno está chegando na Terra das Brumas. Os animais começam a hibernar. Os goblins
da aldeia, moradores da caverna retornam para sua morada. Alguns trazem caça
como alimento.
Grunt
acende a fogueira. Aos poucos as goblinesas e goblins começam a se aproximar. As
crianças estão eufóricas e começam a gritar:
-
Vovô! Vovô! Você precisa continuar a história!
- Continuar
a história? Como assim? – pergunta o velho goblin, fingindo-se de esquecido...
- A história
do Grunt, vovô! – fala uma goblinzinha.
- É
vovô! – complementa outra – você tinha dito que Grunt, Lennor e Kóllen haviam
derrotado o Grande Dhorky e que Holdan havia morrido. E depois, o que aconteceu
com eles? – Indaga a criança, ansiosa.
- É
mesmo, hehehe. Havia me esquecido. Pois bem, sentem-se crianças. Vou terminar
de contar a história a vocês!
- Êêêêê
– gritam todas as giblinçadas, em uníssono. O velho goblin inicia a narrativa:
- Após
matarem o Grande Dorkhy, o ogro bicéfalo, e enterrarem Holdan que pereceu no
combate ao monstro, Grunt, Lennor e Kóllen continuaram sua jornada em direção à
Caverna das Sombras Noturnas. Para isso, faltaria passar apenas pelo Pântano da
Perdição...
- Pâ-pâ-pântano
da Pe-perdição, vovô? – questiona um goblinzinho assustado, roendo as unhas das
mãos e dos pés...
- Sim,
o Pântano da Perdição – continua o velhote com voz aterrorizante. O Pântano
da Perdição é uma região totalmente isolada, evitada por todos os que temem a
morte. Seu terreno é pegajoso e torna a caminhada pesada. As Árvores são secas
e mortas, e barulhos de ossos batendo são ouvidos a todo instante, devido aos
esqueletos que percorrem e rondam toda a região...
- E
eles encontraram algo, vovô? – pergunta uma goblinzinha atenta.
- Ou
pior? Algo os encontrou? – pergunta um goblinzinho, curioso.
-
Shhhhhh! Deixem o vovô continuar a história! – Interrompe um terceiro.
- Grunt,
Kóllen e Lennor continuam seu trajeto pelo Pântano da Perdição. De repente, os heróis
escutam: creque, croque, creque croque... cada vez mais perto... creque,
croque, creque, croque, creQUE, CROQUE!
- AHHHHHH!
– Gritam todos!
- Dois
esqueletos, aparentando serem soldados pelos farrapos que usam, cada um
portando uma espada partem para cima dos nossos heróis. Grunt sabe que não adianta
se esconder, pois as criaturas são mortos-vivos. Kóllen tenta utilizar suas
magias contra as criaturas, mas não consegue! Lennor tenta invocar seu Deus
novamente para expulsar as criaturas, mas havia consumido toda a sua energia divina
no combate anterior com o ogro bicéfalo. Bastava a Grunt, o ladino goblin
astuto e corajoso resolver a batalha e continuar com a missão!
Percebendo
que seus companheiros não estavam preparados para combater os esqueletos Grunt
se pôs à frente! Sabiamente e tão rápido quanto uma flecha Grunt arrebenta os
ossos do primeiro esqueleto e danifica bem as costelas do outro. Em um segundo
ataque certeiro com o cabo da espada, o ladino finalmente estoura o crânio do
segundo esqueleto!
- ÊÊÊÊÊHHHHH!
- EU
SABIA! GRUNT É O MELHOR! – Grita um goblin.
- GRUNT!
GRUNT! GRUNT! – Grita um coro, animado pela façanha do ladino.
O mago
goblin faz sinal de silêncio, trazendo o dedo indicador aos lábios. Todos respeitam.
Ele continua:
- Graças
a Grunt, Kóllen e Lennor estavam vivos e poderiam continuar a jornada até a
Caverna das Sombras Noturnas. Ao fim da tarde, os três conseguem observar a
entrada da Caverna. Ansiosos, entram sem se preocupar com possíveis armadilhas!
- E tinha
alguma armadilha, tio? – Pergunta ironicamente Greck, sobrinho do mago e
ouvindo a história pela 13.756ª vez...
- Por
sorte, não havia armadilha alguma. Quando entraram, perceberam que a caverna
era um ambiente pequeno. Havia apenas uma sala circular. O teto, repleto de
estalactites. O chão, com lajotas rudemente lapidadas. Ao fundo da caverna era
possível ver um altar. Nele, resplandecente e iluminado magicamente, flutuava o
Espelho da Verdade, fruto da viagem e dos perigos enfrentados até aqui. Em cada
lado do altar uma estátua parecia olhar em direção ao altar...
-
Nossa, foi tudo tão fácil assim? Que chato... – reclama um goblinzinho
marrento.
- Não,
meu jovem. No momento em que os três aventureiros se aproximaram as duas
estátuas pareceram ganhar vida! Na verdade, se tratava de dois golems, protetores
e guardiões do Espelho da Verdade...
- E o
que ocorreu? – alguém pergunta...
- Um
dos guardiões golems se pôs à frente de Lennor. O outro se pôs no caminho de Kóllen.
A luta foi árdua e difícil. A maga elfa não conseguia, em nenhum momento, conjurar
suas magias. Ela estava cansada e sem mana, provavelmente... Lennor levou diversos
golpes de um dos golems, mas conseguiu derrotar o que estava à sua frente. Algumas
versões da história dizem que ele ainda tentou corajosamente combater o outro
guardião juntamente à Kóllen, mas a maga elfa pereceu para o amontoado de
pedras. Lennor, quase morto, conseguiu desferir um último golpe que derrotou a
criatura. Outras versões dizem que após a maga morrer, o clérigo tentou curá-la
e foi morto pelo outro guardião...
- E Grunt?
Ele se escondeu novamente? – indagou Gablinese, uma goblim quase globescente...
- Não.
Enquanto Kóllen e Lennor combatiam os golems Grunt aproveitou a oportunidade
e se esgueirou até o altar, tomando para si o Espelho da Verdade. Como todos estavam
ocupados lutando o goblin aproveitou para cumprir a missão e sair vivo!
- Maravilha.
Eu sabia que teria um final feliz! – uma das crianças fala.
- Sim,
teve – continuou o mago. Grunt retornou e entregou o Espelho a Tales,
conseguiu sua recompensa e ficou bem.
- E
Tales descobriu o traidor do conselho, vovô?
- Ora,
essa é outra história. Vamos, está na hora de entrar. Já anoiteceu e o fogo está
terminando, logo há de fazer frio.
-
AHHHHHH. As crianças reclamam, mas entram.
O mago
observa o fogo se consumir, como se as lembranças o consumissem também.
- Hey,
velhote! – Grita um goblin, aproximando-se do mago – Contava suas historinhas às
crianças? – Questiona.
- Olá
Grunt. Não são historinhas. São histórias...
- Ora.
Por que me chama de Grunt, velho? E porque não conta a eles que você é o
verdadeiro Grunt? Por que não conta como se tornou mago, com o pingente encontrado
com o “Grande Dorkhy”?
-
Deixe para lá, Grenk, deixe para lá. É melhor sermos os goblins da caverna à
qual Grunt, Kóllen, Lennor e Holdan ajudaram. E você, Grenk, será o próximo
Grunt de todos nós...

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