Velhas histórias ao redor da fogueira – um gameplay em forma de conto. O Espelho da Verdade - Parte 1
|
N |
oite. A lua ilumina imponente o céu e as estrelas brilham num
pisca-pisca inferior, ressaltando a magnitude da Rainha do Céu. A brisa fria
começa a percorrer as planícies e em algum local distante nas Terras das Brumas
uma aldeia goblin se reúne em torno da fogueira para comemorar o aniversário de
seu mago ancião.
- Vovô! Vovô! – gritam algumas
criaturinhas verdes ainda bebês – Nos conte uma história!
- Uma história – responde a voz
cansada pelo tempo – E que tipo de história vocês gostariam de ouvir?
- Histórias com heróis, combates e
tesouros! – Gritam os bebês verdinhos.
- Pois bem. Irei contar uma história
a vocês...
Há muito e muito tempo, nas Terras das Brumas a Bruxa Sombria, uma antiga conselheira real se corrompeu, voltando-se contra o reino. Ela saiu do conselho e prometeu retornar e tomar o poder. Tales, um dos membros do Conselho Real suspeitava que dentre os conselheiros havia um traidor. Para descobrir quem era o mentiroso, Tales precisava do Espelho da Verdade, um item mágico que refletiria a expressão da pessoa a qual ele estivesse refletindo totalmente desconfigurada caso essa pessoa estivesse mentindo. O espelho se encontrava na Caverna das Sombras Noturnas. Assim, Tales contratou quatro aventureiros: Holdan, um guerreiro anão, usuário de um machado de batalha; Kóllen, maga elfa; Lennor, clérigo humano do Deus da Luz e Grunt, um habilidoso ladino goblin.
- Tinha um goblin também na história,
vovô?
- Sim, havia sim. Mas deixe-me
continuar a história...
Ao saírem a elfa detecta pela posição
dos astros que já está para anoitecer. Ela procura e encontra uma caverna,
espaçosa o suficiente para abrigar os quatro. Todos vão até lá. O que Kóllen e
os demais não perceberam é que não estavam sozinhos...
- Havia um monstro, vovô? –
interrompe um goblinzinho ainda de fraldas.
- Não, não havia nenhum monstro. Quatro
goblins surgem. A caverna ali era a morada deles. – Explica o velho mago.
- Igual a nossa, vovô?
- Sim, igual a nossa. Mas continuemos
a história...
Os quatro goblins estavam furiosos
com os intrusos. Grunt, o ladino, conversou com seus primos distantes e descobriu
que eles, na verdade, não eram ruins. Eram obrigados a saquear aventureiros
desavisados e entregar os espólios ao “Grande Dorkhy”, um ogro bicéfalo que passava
ali todas as manhãs para cobrar seus tributos, caso contrário ameaçava cozinhar
e comer os goblins...
- Que horrível vovô! – grita um
verdinho.
- Pois é. Mas os quatro
aventureiros prometeram ajuda aos nossos antepassados. E assim, conseguiram um
local para descansar.
Na manhã seguinte, Dorkhy aparece
para cobrar os tributos e os goblins não apareceram. Furioso, ele ameaça entrar
na caverna. Holdan é o primeiro a atacar com seu machado, mas acaba
surpreendido. Kóllen e Lennor também tentam atacar o gigante, sem sucesso. Grunt se
esconde.
- Ele estava com medo?
- Não, claro que não. Ele estava esperando
a hora correta. – Completa o velho goblin.
O guerreiro anão leva outro golpe e morre
perante o gigante. Grunt dá um ataque que surpreende o gigante e o segura pelo pescoço, ficando Grunt pendurado. Kóllen acerta uma bola de fogo na criatura e Lennor
clama a seu Deus, conseguindo
desferir três rajadas de luz na criatura, que cai morta.
- Eles conseguiram derrotar o ogro,
vovô?
- Sim, conseguiram. Holdan caiu
morto, mas Grunt, Kóllen e Lennor derrotaram o Grande Dorkhy. Grunt
inclusive revista o corpo do Ogro e encontra um pingente prateado, em forma de
ponta de flecha, com algumas formas serrilhadas nas laterais. O ladino resolve
ficar com o item. Quanto a Holdan, teve um enterro digno de um herói!
- E os goblins da caverna viveram
felizes para sempre! -grita uma goblinzinha!
- Tá, mas e quanto ao Espelho da Verdade?
Eles conseguiram encontrar? Pergunta um goblescente, ansioso.
- A fogueira já está apagando, meus
jovens, o tempo está esfriando. Melhor entrarem na caverna, amanhã eu continuo a
história e conto se os heróis acharam ou não o espelho. E se eles viveram...
- Ahhhhh... reclamam os goblinzinhos,
acatando o pedido do aniversariante.
O velho sábio permanece um tempo a mais
ali, vendo a brasa se consumindo. Um outro goblin chega próximo ao
aniversariante, tocando em seu ombro:
- Contando lendas aos jovens,
velhote? Feliz Aniversário!
- Não, Grunt. Contando a nossa história
que ainda vive...




Comentários
Postar um comentário