Velhas histórias ao redor da fogueira e OSR tabelas e gerador de masmorras – Gameplay – O desaparecimento de Tales – Parte um

 

É

 noite em Telembrin, uma pequena cidade com pouco mais de cinco mil habitantes. O tempo está escuro e fechado, sem a luz da lua. Ameaça nevar. O vento uiva ao passar entre as montanhas e viajantes desavisados podem se sentir ameaçados com a presença de lobos nas trilhas rochosas.

Em tempos comuns e de calor a taverna Asa de Pégasus estaria lotada. Hoje, com o frio e o perigo lá fora apenas oito pessoas corajosas se encontram no estabelecimento; duas trabalham lá: trata-se de Ning, o pequeno goblin atendente e Baltazar, anão dono do estabelecimento. Além deles é possível ver em uma mesa com dois camponeses e dois mineiros das minas de carvão de Khálynder. Afastados, do outro lado da lareira encontra-se uma jovem elfa, vestida com uma túnica preta que permite apenas apreciar metade de seu rosto. Ah, e ao seu lado está Goldin, um pequeno halfling, clérigo e seu companheiro.

O pequeno goblin se aproxima da mesa com os quatro, trazendo quatro canecas maiores que a bandeja. Ele vai cambaleando, mas consegue servir. Em seguida, Ning se aproxima da lareira. Retira uma varinha mágica da cintura. A chacoalha em direção a lenha já posta e o fogo se inicia. O goblin ainda chacoalha a varinha (tal como um fósforo, para apagar possíveis chamas...) e a guarda.

- Cerveja e lareira! Que mais falta para melhorar? – diz um dos mineiros?

- Uma história! Seria perfeito uma história! Henry conhece algumas, não? – pergunta o outro mineiro, voltando-se para um dos camponeses.

- Bem, conheço uma ou outra...

Do outro lado, Goldin se anima:

- Veja Khelana, uma história!

A elfa emburrada não responde e dá uma golada no seu copo de vinho. Os rapazes da outra mesa continuam:

- Vamos Henry, nos conte uma aventura! – diz o outro camponês.

- Pois bem. – responde Henry- irei lhes contar uma história de aventura e ação: Há alguns anos, na cidade de Ghenan um dos conselheiros do rei, Tales, desapareceu. Rumores e boatos afirmavam que Tales estava desconfiado de que havia algum traidor no conselho. Ele contratou alguns aventureiros para ir atrás de um artefato, um tal espelho da verdade para ele descobrir quem era o traidor.

- Espelho da verdade?- indaga um dos mineiros.

- Sim, sim. – continua Henry – mas isso é outra história. O fato é que Tales desapareceu alguns dias depois de conseguir o tal espelho de um goblin que conseguiu trazê-lo para ele. Com a posse do item o conselheiro havia conclamado uma reunião do conselho, mas ele desapareceu antes dessa reunião acontecer. Anêh’ndoa, esposa de Tales acusava Telenos, outro conselheiro, de ter sequestrado seu marido e fugido para noroeste, em direção à cidade de Edaryn.

- Espera... um goblin sozinho trouxe o espelho? HAHAHAHAHAHAHA! Isso é uma história ou uma piada? – diz ironicamente o outro mineiro, quieto até então.

- Essa história não conta com um goblin, meu caro amigo.- continua Henry. Anêh’ndoa contrata quatro aventureiros para capturarem Telenos e o trazerem de volta: Grohtarr, um habilidoso guerreiro orc vindo das tribos de Num-Dhur; Natan, um clérigo humano do deus da ordem; Lauriel, uma sprite maga habilidosa e Lambo, um meticuloso ladino halfling.

- Veja Khelana, há um halfling na história! – Afirma Goldin, todo garboso...

- Humpf! – ignora Khelana. Do outro lado, Henry continua a narrativa:

- Os quatro aventureiros deveriam, no primeiro dia de viagem, passar pelas Montanhas do Eco Sussurrante, duas enormes, geladas e monstruosas montanhas isoladas no reino para, assim, conseguirem chegar no segundo dia à Torre do Tombo de Livynthar, uma cidade fantasma arruinada há milênios. Enfim, se passarem esses desafios deverão chegar a Edaryn no terceiro dia. Sem perder tempo, Grohtarr, Natan, Lauriel e Lambo partem em direção às Montanhas do Eco Sussurrante!

Ao chegarem aos pés das montanhas o clima já se mostrava diferente. Iniciando a subida os quatro aventureiros entenderam o motivo do nome das montanhas: vuuush, vuush, uush, ush... era um som de arrepiar a espinha! Por volta da hora do almoço o tempo começara a fechar. À medida que caminhavam o vento se tornava mais gélido e flocos de neve começavam a cair...até que uma pequena camada de neve se fez.

O grupo continuou a caminhar e encontrou uma caravana – ou o que restou dela: uma carroça virada, sem animais para puxá-la; três homens mortos: um de mais idade e dois jovens, aparentando ter por volta de trinta anos; duas mulheres feridas, uma delas elfa – já morta; a outra ainda respirava, sangrando, e trazia um bebê envolto em um pano azul escuro.

- O que ocorreu com eles, Henry? – pergunta o camponês.

- É, foram atacados? – perguntam os mineiros, ao mesmo tempo.

- Vocês irão descobrir: a jovem ferida, com dificuldade, diz que a caravana foi atacada por quatro bandidos extremamente violentos. Ela entrega a criança à Lambo, pedindo que o bebê seja levado a Edaryn e entregue a D. Luís Facks em seu mosteiro. Em seguida a jovem cerrou os olhos eternamente...

Lambo tenta procurar se ainda há algo de valor, mas o faz em vão; Natan, o clérigo, procura um local para o grupo descansar e avista uma gruta. Ele informa ao grupo; Lambo entrega o bebê à Lauriel e segue, sorrateiramente, em direção à gruta para ver se a mesma estava ocupada.

- E ela estava? Pergunta o anão Baltazar, aflito.

- Com toda certeza, meu amigo Baltazar! Lambo se aproxima da entrada da gruta e vê quatro bandidos enormes, parecendo bestas monstruosas de tão fortes. Ele supõe serem os mesmos que atacaram a caravana. Assim, Lambo retorna, avisa ao grupo e todos decidem prosseguir até encontrar um local seguro. E assim fazem. Eles caminham por mais duas longas horas... até encontrarem a entrada de uma caverna.

- Lambo foi ver se havia alguém lá dentro novamente? – pergunta Goldin, se aproximando do grupo e deixando Khelana de lado

- Nada, meu pequeno amigo. Dessa vez, todos estavam tão cansados que não pensaram antes de entrar na caverna. E lá havia um necromante, que estava escrevendo e lendo magias, junto a seu servo morto-vivo esqueleto. Assim que os heróis entraram o esqueleto se atirou em cima deles, despertando a atenção do mago, que se pôs a lutar!

- Eles mataram Grohtarr e seus companheiros? – pergunta um mineiro.

- Ouçam: O esqueleto partiu imediatamente para cima de Lambo; o ladino recebeu um pequeno ferimento da espada cega; o necromante tenta atacar Grohtarr, mas falha; Lauriel esconde o bebê atrás de uma estalagmite e entra no combate, acertando maravilhosamente três bolas de fogo no monte de ossos animado e transformando-o em cinzas; Natan fica tão encantado com a habilidade da Sprite que acaba se desconcentrando e erra seu ataque; Lambo, já recuperado, desfere um maravilhoso golpe com sua espada curta no mago, ferindo-o seriamente.

- Ah, o halfling matou o necromante? Pergunta Goldin entusiasmado.

- Calma, meu pequenino amigo. O necromante, gravemente ferido, se vira para Natan, tentando conjurar uma magia de dominação mental. Nesse momento, Grohtarr desfere um golpe com seu machado partindo o necromante em dois.

- Ah, um machado maravilhoso, feito pelas mãos de um ferreiro anão com toda certeza! – exclama Baltazar.

- E depois, o que ocorre, Henry? – questiona o camponês.

- O necromante cai morto no mesmo instante! Lambo procura no corpo desfalecido e não consegue encontrar o grimório do mago, mas acha um pergaminho. Não era mágico; tratava-se de um documento oficial timbrado, uma proposta de decreto real pedindo o extermínio de qualquer bebê recém-nascido humano, anão ou elfo. Declarava se tratar de uma visão oracular do futuro e que ameaçava a soberania real. E era assinada por D. Luís Facks.

Lauriel descobre a criança pela primeira vez. Trata-se de uma linda bebê elfo com cabelos brancos e a franja tingida de vermelho – do sangue de sua mãe, provavelmente. Em sua testa está grudado um colar, tendo um pingente em forma de gota, polido em uma bela pedra azul. A sprite retira o colar, que deixa demarcado o rosto do bebê como se uma lágrima caísse de sua testa.

A fada decide colocar o colar no recém-nascido. Nesse momento uma estranha luminosidade azulada sai do pingente, da gota na testa da criança e dos olhos dela.

Grohtarr, Lauriel, Natan e Lambo resolvem não levar a bebê ao mosteiro. Todos resolvem descansar para continuar a viagem no dia seguinte.

- Cerveja, rodada de cerveja a todos. Baltazar quem mandou! – grita Ning.

- E o que acontece com eles depois, Henry? - Pergunta Baltazar.

- Já continuo a história meu amigo. Deixe-me apenas tomar essa caneca.

Continua...

 

 

 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Velhas histórias ao redor da fogueira – um gameplay em forma de conto. O Espelho da Verdade - Parte 1

"O culto dos Sirinin", um Gameplay de Dominus - O Mundo de Dunegor, de Tiago Junges e Cezar Capacle